By 22/09/2011 0 Comments

Galerias Romanas da Rua da Prata abertas este fim-de-semana




Só abrem durante dois a três dias por ano e são um dos monumentos menos conhecidos da cidade de Lisboa ainda que muito requisitado nos dias em que a visita é possível. As galerias romanas da Rua da Prata são uma construção com cerca de 2000 anos e que pode ser parcialmente visitada, sem marcação prévia, de dia 24 a 26 de Setembro, entre as 10 e as 18 horas fazendo-se a entrada pelo entroncamento da Rua da Prata com a Rua da Assunção. Se está interessado conte com filas de espera e vá prevenido para tal.

Eis alguma informação disponibilizada pela Câmara Municipal de Lisboa:

A Descoberta

Em 1771 durante a reconstrução da cidade de Lisboa, na sequência do grande terramoto de 1755, surgiram pela primeira vez notícias da existência de um conjunto de Galerias Romanas no subsolo da Baixa, desenhadas em 1773 por Joaquim Ferreira. A incipiente noção de património de então levaria a que apenas um pedestal romano com a inscrição em latim dedicado a Esculápio (Deus da Medicina) fosse salvaguardado. O edifício romano, constatada a sua grande robustez, serviria de alicerce aos prédios pombalinos.

Em 1859, obras de saneamento permitiram, pela única vez, observar restos das construções romanas que se erguiam sobre as Galerias. Foi então feito o levantamento exaustivo das ruínas, um dos trabalhos arqueológicos pioneiros na cidade de Lisboa, pela mão de José Valentim de Freitas. Visitas esporádicas, com finalidades jornalísticas e de investigação, iniciaram-se em 1909, sendo à data o monumento conhecido por “Conservas de Água da Rua da Prata” por ter sido utilizado pela população como cisterna.

Abririam ao público com regularidade a partir dos anos 80 época em que foi possível à Câmara Municipal de Lisboa criar condições restritas de acessibilidade ao monumento.
 

A Função

A arquitectura e as técnicas de construção destas Galerias sugerem tratar-se de um monumento da época dos imperadores Júlio-Claúdios (primeira metade do séc. I d.C.), contemporâneos de outros edifícios públicos da cidade roamana de Olisipo.

Os últimos trabalhos arqueológicos do Museu da Cidade revelaram que as Galerias foram erguidas sobre uma espessa placa artificial de rija argamassa romana (opus caementicium – “antepassado remoto do betão”) colocada sobre a areia. A análise da arquitectura revelou a ocorrência nesta estrutura, ainda durante a época romana.

Estas galerias, desde a sua descoberta, têm sido alvo de diversas interpretações, de Termas a Fórum Municipal. Conhece-se hoje melhor a sua funcionalidade durante a época romana, seguramente ligada às actividades portuárias e comerciais. Propostas mais recentes indicam tratar-se de um «criptopórticos» – construções abobadadas empregues com alguma frequência pelos romanos em terrenos instáveis ou de topografia irregular para criar uma plataforma de suporte a outras edificações, normalmente públicas.

A inscrição dedicada ao Deus Esculápio, parece confirmar o carácter público do edifício.
 

O Que Se Pode Ver

Os colectores de esgoto da cidade, construídos desde o século XVIII, não permitem o acesso à totalidade do monumento, truncando uma área das galerias. A parte visitável é constituída por uma rede de galerias perpendiculares, de diferentes alturas, onde se destacam:

  • Pequenos compartimentos (celas) dispostos lateralmente a algumas das galerias, que poderão ter sido utilizadas na época romana como áreas de armazenamento;
  • Arcos em cuidada cantaria de pedra almofadada, técnica típica dos inícios da época imperial romana;
  • “Galerias das Nascentes”, também chamada “Olhos de Água”, que ostenta a fractura, a partir da qual brota a água que invade todo o recinto.
     

Contacto
Galerias Romanas da Rua da Prata
Rua da Conceição (junto ao nº 77)
Para mais informações:
Divisão de Museus e Palácios da Câmara Municipal de Lisboa
Campo Grande 245
1700-091 Lisboa
Tel. 21 751 32 00
E-mail: museudacidade@cm-lisboa.pt

 

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